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Mulheres brasileiras são vítimas de violência sem se identificar como tal.

 


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Mulheres brasileiras são vítimas de violência sem se identificar como tal.

Uma em cada três brasileiras sofreu violência doméstica ou familiar no último ano, aponta pesquisa do Senado



Uma em cada três brasileiras viveu alguma situação de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses, mas a maioria das vítimas não se reconheceu espontaneamente como vítima de violência. O dado faz parte da mais recente Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) do Senado.

O levantamento mostra uma diferença preocupante entre a violência doméstica vivenciada pelas mulheres e aquela que é efetivamente reconhecida e declarada como violência. Das mulheres entrevistadas, apenas 4% afirmaram espontaneamente ter sofrido violência. Outras 29% relataram situações concretas de agressão, mas não se identificaram inicialmente como vítimas.

Ao todo, 21.641 mulheres foram entrevistadas, permitindo identificar diferenças importantes entre os estados brasileiros e revelar como a percepção da violência doméstica varia de uma região para outra.

Violência doméstica no Brasil: uma em cada três mulheres relata situações de agressão

Os dados da pesquisa mostram que a violência doméstica e familiar contra a mulher continua sendo um problema relevante no Brasil. Quando as entrevistadas foram questionadas de maneira espontânea, apenas 4% disseram ter sofrido violência no período de 12 meses.

Entretanto, quando a pesquisa apresentou situações concretas de agressão e perguntou novamente às participantes, o número aumentou significativamente.

Isso significa que muitas mulheres podem estar vivendo situações de violência física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial sem necessariamente reconhecer esses comportamentos como violência doméstica.

A diferença entre a violência vivenciada e a violência declarada é um dos pontos que mais chamam atenção na pesquisa.

Alagoas apresenta maior diferença entre violência vivida e reconhecida

A percepção da violência doméstica não é igual em todas as regiões do país.

Em Alagoas, 36% das mulheres relataram situações de violência sem identificá-las como violência doméstica ou familiar. O percentual também foi elevado no Amazonas, onde chegou a 35%, e no Acre e em Tocantins, ambos com 34%.

Na outra ponta estão Paraná e São Paulo, que registraram os menores percentuais entre as mulheres que relataram situações concretas de violência sem reconhecê-las inicialmente como violência doméstica: 25% em ambos os estados.

Os números mostram que os dados nacionais podem esconder diferenças importantes entre os estados brasileiros.

Diferença entre os estados

EstadoMulheres que relataram situações de violência sem reconhecê-las como violência doméstica
Alagoas36%
Amazonas35%
Acre34%
Tocantins34%
Paraná25%
São Paulo25%

Amazonas registra percentual maior de violência declarada

Outro dado relevante aparece no Amazonas. No estado, 7% das mulheres declararam espontaneamente ter sofrido violência no último ano, percentual superior à média nacional de 4%.

O resultado reforça a importância de analisar os dados de violência doméstica no Brasil também de maneira regionalizada. Uma média nacional pode não representar adequadamente a realidade vivida pelas mulheres em cada estado.

A pesquisa também identificou diferenças em relação ao perfil do agressor.

No Acre, o marido ou companheiro foi apontado como agressor por 73% das vítimas. Já no Distrito Federal, esse percentual foi de 48%.

Esses números ajudam a demonstrar a importância de fortalecer mecanismos de prevenção, informação e proteção para mulheres que vivem situações de violência dentro de relacionamentos ou no ambiente familiar.

Por que muitas mulheres não reconhecem a violência doméstica?

Um dos principais desafios apontados pelos resultados da pesquisa é justamente a dificuldade de reconhecer determinadas situações como violência.

Nem toda violência doméstica envolve necessariamente uma agressão física. Comportamentos de controle, ameaças, humilhações, constrangimentos, violência psicológica, abuso sexual e controle financeiro também podem fazer parte de situações de violência contra a mulher.

Por isso, ampliar o acesso à informação é considerado fundamental para que as mulheres consigam identificar sinais de violência doméstica e procurem ajuda antes que a situação se agrave.

A pesquisa evidencia que combater a violência doméstica não significa apenas agir depois que uma denúncia é realizada. Também é necessário trabalhar na prevenção e no reconhecimento dos diferentes tipos de violência.

Rede de proteção precisa chegar antes da denúncia

Para Maria Teresa Prado, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado, os resultados demonstram a necessidade de fortalecer a informação e os caminhos de acesso à proteção.

Segundo ela, ampliar a Rede de Proteção é fundamental, mas as políticas públicas também precisam considerar o período anterior à chegada da mulher aos serviços de atendimento.

A avaliação é especialmente importante diante do fato de que quase um terço das mulheres entrevistadas relatou situações de violência sem inicialmente reconhecê-las como violência doméstica ou familiar.

Nesse cenário, informação, prevenção e acesso seguro aos serviços de proteção podem ser ferramentas essenciais para interromper ciclos de violência.

Violência doméstica vai além da agressão física

Os dados também ajudam a reforçar uma questão importante: violência doméstica não significa apenas agressão física.

A violência psicológica pode envolver ameaças, humilhações, controle e comportamentos que causem danos emocionais. A violência patrimonial pode envolver controle ou destruição de bens e recursos financeiros. Já a violência moral pode envolver comportamentos que atinjam a honra da vítima.

Por isso, reconhecer os diferentes tipos de violência doméstica é uma etapa importante para que uma situação de abuso possa ser identificada e denunciada.

Pesquisa mostra importância de reconhecer os sinais

Os números do DataSenado e do Observatório da Mulher contra a Violência mostram que existe uma diferença significativa entre aquilo que as mulheres vivenciam e aquilo que elas identificam como violência.

Esse cenário reforça a importância de campanhas de conscientização e de políticas públicas capazes de explicar, de maneira clara, o que é violência doméstica, quais comportamentos podem configurar agressão e quais caminhos estão disponíveis para buscar ajuda.

Quanto maior o conhecimento sobre os sinais de violência, maiores podem ser as possibilidades de identificação precoce e interrupção de situações abusivas.

FAQ: dúvidas sobre violência doméstica

O que é violência doméstica?

Violência doméstica é aquela praticada no contexto doméstico, familiar ou de uma relação íntima de afeto. Ela pode assumir diferentes formas, incluindo violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

Quais são os tipos de violência doméstica?

Entre os principais tipos estão violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Nem todas as situações envolvem agressão física.

Qual é a situação da violência doméstica no Brasil?

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher citada neste levantamento mostra que uma em cada três brasileiras vivenciou alguma situação de violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à entrevista, considerando também situações que inicialmente não foram reconhecidas pelas próprias mulheres como violência.

Por que algumas mulheres não reconhecem que sofreram violência?

Situações de controle, ameaças, humilhações, abuso psicológico ou outras formas de agressão podem ser naturalizadas ou não imediatamente identificadas como violência. A pesquisa demonstra justamente a diferença entre a violência vivenciada e aquela declarada espontaneamente.

Onde denunciar violência doméstica?

Em uma situação de risco ou emergência, a mulher deve procurar os serviços de segurança e proteção disponíveis em sua região. Também é importante buscar orientação junto à rede de atendimento às mulheres em situação de violência.

Conclusão

Os resultados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher revelam um dos grandes desafios no combate à violência doméstica no Brasil: muitas mulheres vivenciam situações de agressão, mas não necessariamente reconhecem aquilo que sofreram como violência.

Enquanto apenas 4% declararam espontaneamente ter sofrido violência, outros 29% relataram situações concretas de agressão sem se reconhecer inicialmente como vítimas.

A diferença entre os estados também chama atenção. Alagoas apresentou o maior percentual, com 36%, enquanto Paraná e São Paulo registraram 25%.

Mais do que revelar números sobre a violência doméstica no Brasil, a pesquisa mostra a necessidade de ampliar o acesso à informação, fortalecer a prevenção e facilitar o caminho para que mulheres possam reconhecer situações de violência e buscar ajuda de maneira segura.

O combate à violência doméstica começa não apenas quando ocorre uma denúncia, mas também quando uma mulher consegue identificar que determinada situação não é normal e que ela tem direito à proteção.



Reconhecimento da violência doméstica é essencial para buscar proteção

Para a antropóloga Beatriz Accioly, reconhecer uma situação de violência é um passo fundamental para que a mulher consiga procurar ajuda e acessar a rede de proteção. Segundo ela, quando uma mulher vivencia uma situação de violência sem conseguir identificá-la como tal, existe uma barreira que pode surgir antes mesmo do acesso às políticas públicas.

“Se a mulher não reconhece o que vive como violência, torna-se muito mais difícil procurar proteção e acolhimento”, explicou Beatriz Accioly, gerente de políticas públicas pelo Fim da Violência Contra Mulheres no Instituto Natura, parceiro do Mapa Nacional da Violência de Gênero.

A declaração reforça um dos principais pontos revelados pela Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher: combater a violência doméstica não depende apenas da existência de serviços de atendimento. É necessário também garantir que as mulheres tenham informação para reconhecer os diferentes tipos de violência contra a mulher, conheçam seus direitos e saibam onde buscar ajuda.

Pesquisa sobre violência doméstica é realizada há 20 anos

Realizada pelo Senado Federal há duas décadas, a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher é considerada o maior levantamento do país dedicado ao tema da violência doméstica contra mulheres.

A pesquisa permite acompanhar a percepção das brasileiras sobre a violência, identificar diferenças entre os estados e compreender melhor como as mulheres reconhecem e vivenciam situações de agressão dentro de relacionamentos e do ambiente familiar.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, destacou a importância da divulgação dos dados durante o mês de agosto, período marcado pelos 20 anos da Lei Maria da Penha e pelas ações do Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.

Segundo Alcolumbre, conhecer a realidade da violência doméstica por meio de dados confiáveis é fundamental para melhorar as leis, orientar políticas públicas e fortalecer ações de prevenção e acolhimento.

Percepção de aumento da violência doméstica chega a 79% no Brasil

Além de investigar situações concretas de violência, a pesquisa também analisou como as mulheres percebem a evolução da violência doméstica e familiar no Brasil.

O resultado chama atenção: 79% das mulheres brasileiras acreditam que a violência doméstica aumentou nos 12 meses anteriores à pesquisa.

A percepção de aumento foi registrada em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, embora os percentuais apresentem diferenças entre as unidades da Federação.

Na maioria dos estados, os resultados ficaram estatisticamente próximos da média nacional de 79%.

Alagoas e Bahia têm maior percepção de aumento da violência

Entre os estados brasileiros, Alagoas apresentou o maior percentual de mulheres que perceberam aumento da violência doméstica, chegando a 85%.

A Bahia aparece logo depois, com 84% das entrevistadas afirmando que perceberam um crescimento da violência doméstica e familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Os números colocam os dois estados acima da média nacional e mostram uma percepção particularmente elevada sobre o avanço da violência contra as mulheres.

EstadoMulheres que perceberam aumento da violência doméstica
Alagoas85%
Bahia84%
Brasil79%
Paraná73%
Minas Gerais73%

Paraná e Minas Gerais apresentam os menores percentuais

Na outra ponta do levantamento estão Paraná e Minas Gerais, onde 73% das mulheres afirmaram perceber um aumento da violência doméstica e familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Apesar de o percentual ser inferior à média brasileira, ele ainda representa uma ampla maioria das entrevistadas.

O resultado demonstra que a percepção sobre o crescimento da violência contra a mulher permanece elevada mesmo nos estados que registraram os menores índices da pesquisa.

Violência contra a mulher precisa ser reconhecida antes da busca por ajuda

Os resultados reforçam que um dos grandes desafios no combate à violência doméstica no Brasil está no reconhecimento das situações abusivas.

Uma mulher pode vivenciar ameaças, humilhações, controle, agressões físicas, abuso sexual ou controle financeiro sem necessariamente identificar imediatamente essas situações como formas de violência.

Por isso, além de fortalecer a Rede de Proteção à Mulher, especialistas defendem a ampliação do acesso à informação e às campanhas de conscientização.

Reconhecer os sinais de violência doméstica pode ser o primeiro passo para interromper um ciclo de agressões e procurar apoio.

A pesquisa do Senado mostra, portanto, que conhecer os números da violência doméstica é importante, mas entender como as próprias mulheres percebem e reconhecem essa violência é igualmente fundamental para desenvolver políticas públicas mais eficientes de prevenção, proteção e acolhimento.



Conhecimento sobre a Lei Maria da Penha ainda é limitado entre as brasileiras

Outro dado preocupante da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher diz respeito ao conhecimento das brasileiras sobre a Lei Maria da Penha, principal legislação brasileira de proteção às mulheres contra a violência doméstica e familiar.

Mesmo após 20 anos de existência da lei, 78% das mulheres brasileiras afirmam conhecer pouco ou nada sobre a Lei Maria da Penha. Desse total, 67% dizem conhecer pouco a legislação, enquanto 11% afirmam não conhecer nada sobre ela.

O resultado revela que, além da dificuldade de reconhecer determinadas situações como violência doméstica, muitas mulheres ainda desconhecem os mecanismos legais disponíveis para sua proteção.

Maioria das mulheres conhece pouco a Lei Maria da Penha

Os números mostram que ter ouvido falar da Lei Maria da Penha não significa necessariamente conhecer seus direitos e as medidas de proteção previstas pela legislação.

Entre as entrevistadas em todo o Brasil:

Nível de conhecimentoPercentual
Conhece pouco67%
Não conhece nada11%
Conhece pouco ou nada78%

Esse baixo nível de conhecimento pode dificultar a identificação de situações de violência contra a mulher e também o acesso aos mecanismos de proteção disponíveis.

Conhecer a legislação é importante para que as mulheres saibam que existem medidas legais destinadas a protegê-las em situações de violência doméstica e familiar.

Rondônia e Piauí apresentam os maiores índices de desconhecimento

As maiores taxas de desconhecimento completo da Lei Maria da Penha foram registradas em Rondônia e Piauí.

Nos dois estados, 18% das mulheres entrevistadas afirmaram não conhecer nada sobre a legislação.

O percentual é significativamente superior à média nacional, de 11%, e evidencia diferenças regionais no acesso ao conhecimento sobre os instrumentos legais de proteção às mulheres.

Amapá e Mato Grosso registram menores percentuais

Na outra ponta estão Amapá e Mato Grosso, estados nos quais 8% das mulheres afirmaram não saber nada sobre a Lei Maria da Penha.

Embora o índice seja inferior ao registrado em Rondônia e no Piauí, o dado também demonstra que ainda existe uma parcela de mulheres que desconhece completamente uma das principais leis brasileiras de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher.

EstadoNão conhece nada sobre a Lei Maria da Penha
Rondônia18%
Piauí18%
Brasil11%
Amapá8%
Mato Grosso8%

Informação é fundamental para combater a violência doméstica

Os dados sobre o conhecimento da Lei Maria da Penha se somam a outro alerta apresentado pela pesquisa: muitas mulheres vivenciam situações de violência, mas não necessariamente conseguem reconhecê-las como violência doméstica.

Nesse cenário, informação e conscientização são ferramentas importantes para a prevenção da violência contra a mulher.

Saber identificar os diferentes tipos de violência, conhecer os próprios direitos e entender quais serviços podem oferecer proteção e acolhimento pode facilitar a busca por ajuda.

A pesquisa mostra, portanto, que o enfrentamento da violência doméstica precisa ir além da punição dos agressores. Também é necessário ampliar o conhecimento das mulheres sobre seus direitos e sobre os mecanismos de proteção existentes.

Lei Maria da Penha completa 20 anos

A divulgação desses dados ganha ainda mais relevância durante o Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, especialmente em um momento em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos.

A baixa familiaridade com a legislação demonstra que ainda existe um importante desafio de comunicação e educação sobre os direitos das mulheres.

Quanto mais brasileiras conhecerem a Lei Maria da Penha, souberem identificar situações de violência doméstica e conhecerem os caminhos para buscar proteção, maiores são as possibilidades de prevenção e enfrentamento desse problema.

Conhecimento sobre a rede de proteção à mulher

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher também analisou o quanto as brasileiras conhecem os serviços que fazem parte da rede de proteção à mulher em situação de violência.

Os dados mostram que alguns serviços são amplamente conhecidos, enquanto outros ainda não fazem parte do conhecimento de uma parcela significativa das mulheres.

Entre os serviços avaliados, o maior nível de conhecimento é o das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), conhecidas por 93% das entrevistadas.

Confira os principais resultados:

Serviço de proteção à mulherMulheres que conhecem
Delegacias da Mulher93%
Defensoria Pública87%
CRAS e CREAS81%
Ligue 18076%

Os números mostram que, embora exista um conhecimento expressivo sobre os principais serviços de atendimento, ainda há espaço para ampliar a divulgação dos canais de denúncia, orientação, assistência social e proteção contra a violência doméstica.

O conhecimento desses serviços pode ser decisivo para que uma mulher consiga encontrar ajuda quando estiver enfrentando uma situação de violência.

Vulnerabilidade das mulheres dentro de casa

Os dados da pesquisa também ajudam a dimensionar a vulnerabilidade das mulheres vítimas de violência doméstica dentro do próprio ambiente familiar.

Em 62% dos casos registrados em todo o Brasil, o agressor é o marido ou companheiro da vítima. O percentual é ainda maior em alguns estados.

No Acre, por exemplo, o marido ou companheiro foi apontado como agressor em 73% dos casos, enquanto no Maranhão o percentual chegou a 71%.

Na outra ponta estão o Distrito Federal, com 48%, e São Paulo, com 52%, apresentando os menores percentuais entre os estados analisados.

LocalAgressor é marido ou companheiro
Acre73%
Maranhão71%
Brasil62%
São Paulo52%
Distrito Federal48%

Os números evidenciam uma característica importante da violência doméstica contra a mulher: em grande parte dos casos, a agressão acontece dentro de uma relação de proximidade e confiança.

12% das mulheres ainda moram com o agressor

Outro dado considerado preocupante pela pesquisa é a quantidade de mulheres que continuam vivendo na mesma residência que o agressor.

No Brasil, 12% das mulheres vítimas de violência afirmaram que ainda moram com o agressor.

Em alguns estados, entretanto, essa proporção é significativamente maior.

Sergipe lidera o levantamento, com 23%, seguido pelo Acre, com 22%, e pelo Rio Grande do Sul, com 19%.

Já Distrito Federal e Minas Gerais registraram os menores percentuais, com 7% cada.

LocalVítimas que ainda moram com o agressor
Sergipe23%
Acre22%
Rio Grande do Sul19%
Brasil12%
Minas Gerais7%
Distrito Federal7%

Os dados mostram que romper com uma situação de violência doméstica pode ser extremamente complexo. Questões financeiras, familiares, emocionais e relacionadas à própria segurança podem dificultar a saída da vítima do ambiente onde ocorre a violência.

Para Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Gênero e Número, os números precisam ser analisados de maneira conjunta. Segundo ela, enfrentar a violência de gênero exige não apenas responder às agressões, mas também criar condições para que as mulheres possam reconstruir suas vidas com segurança e autonomia.

Machismo ainda é percebido como um problema no Brasil

A pesquisa também investigou a percepção das brasileiras sobre machismo, respeito e desigualdade de gênero em diferentes ambientes, incluindo a casa, o trabalho e os espaços públicos.

O resultado mostra que 70% das mulheres entrevistadas consideram o Brasil um país muito machista.

Nenhuma unidade da Federação apresentou um percentual estatisticamente muito superior à média nacional. Entretanto, alguns estados ficaram abaixo do índice brasileiro.

Os menores percentuais foram registrados no Amapá, com 59%, e em Rondônia e Roraima, ambos com 61%.

Mesmo nesses locais, portanto, mais da metade das entrevistadas considera o Brasil um país muito machista.

Quase metade das brasileiras acredita que as mulheres não são tratadas com respeito

Outro dado importante da pesquisa diz respeito à percepção sobre o respeito às mulheres na sociedade brasileira.

Na média nacional, 46% das entrevistadas acreditam que as mulheres não são tratadas com respeito.

O percentual foi ainda maior no Rio de Janeiro, com 55%, e em Pernambuco, com 53%.

Já os menores índices foram registrados no Amapá, com 34%, e em Santa Catarina, com 35%.

LocalMulheres que acreditam que não são tratadas com respeito
Rio de Janeiro55%
Pernambuco53%
Brasil46%
Santa Catarina35%
Amapá34%

Rua é apontada como ambiente onde as mulheres são menos respeitadas

Entre os diferentes espaços analisados pela pesquisa, a rua aparece como o ambiente onde as mulheres percebem menor respeito.

Em todo o Brasil, 49% das entrevistadas apontaram a rua como o local onde as mulheres são menos respeitadas.

No Ceará, o percentual chegou a 56%, ficando acima da média nacional.

Por outro lado, Rondônia, Acre e Rio Grande do Sul registraram os menores índices, todos com 43%.

O resultado mostra que a percepção de desrespeito às mulheres não está restrita ao ambiente doméstico. Ela também aparece nos espaços públicos e faz parte de uma percepção mais ampla sobre machismo e violência de gênero no Brasil.

O que os dados revelam sobre a violência contra a mulher?

Quando analisados em conjunto, os resultados da pesquisa mostram que o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher envolve diferentes desafios.

Não basta apenas ampliar os mecanismos de denúncia. É necessário garantir que as mulheres conheçam os serviços de proteção, consigam reconhecer situações de violência e tenham condições concretas para deixar ambientes abusivos e reconstruir suas vidas.

Os dados sobre machismo e desrespeito também mostram que a violência contra a mulher está relacionada a um contexto social mais amplo, que envolve a forma como as mulheres são tratadas dentro de casa, no trabalho e nos espaços públicos.

Por isso, informação, prevenção, proteção, autonomia financeira e políticas públicas de acolhimento são elementos importantes para enfrentar a violência de gênero e reduzir a vulnerabilidade das mulheres brasileiras.


Mapa Nacional da Violência de Gênero reúne dados sobre violência contra mulheres

Os dados estaduais da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, referentes a 2025, estão disponíveis na página “Pesquisa Nacional” do Mapa Nacional da Violência de Gênero.

A plataforma é resultado de uma parceria entre o Senado Federal, o Instituto Natura e a Gênero e Número e reúne informações públicas e interativas sobre a violência de gênero no Brasil.

O objetivo é facilitar o acesso aos dados e permitir que pesquisadores, gestores públicos, jornalistas e a população possam consultar e comparar informações sobre a realidade da violência contra as mulheres nas diferentes regiões do país.

Mapa Nacional permite consultar dados sobre violência de gênero

O Mapa Nacional da Violência de Gênero funciona como uma importante ferramenta de consulta e análise dos indicadores relacionados à violência contra as mulheres.

Por meio da plataforma, é possível visualizar informações de diferentes estados brasileiros e compreender melhor as diferenças regionais relacionadas à violência doméstica, violência de gênero e proteção das mulheres.

Para José Henrique Varanda, coordenador do Instituto de Pesquisa DataSenado, o Mapa Nacional tem uma função que vai além de simplesmente reunir estatísticas.

Segundo ele, a plataforma pode ajudar a expor, comparar e confrontar diferentes realidades, contribuindo para que os dados sejam utilizados no desenvolvimento de ações capazes de transformar a situação vivida pelas mulheres brasileiras.

Dados podem ajudar na criação de políticas públicas

A disponibilidade de informações confiáveis sobre violência contra a mulher no Brasil é considerada fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas.

Ao permitir a comparação entre estados e a análise de diferentes indicadores, o Mapa Nacional pode ajudar a identificar regiões que apresentam maiores desafios e orientar ações de prevenção, proteção, atendimento e enfrentamento à violência doméstica.

Os dados também podem ser utilizados para acompanhar mudanças ao longo dos anos e avaliar os resultados das políticas públicas implementadas para combater a violência contra as mulheres.

Observatório da Mulher contra a Violência acompanha os dados

Criado pelo Senado Federal em 2016, o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) tem como uma de suas funções reunir, analisar e divulgar informações relacionadas à violência de gênero no Brasil.

Em parceria com o Instituto DataSenado, o observatório produz e integra dados que podem subsidiar a elaboração de políticas públicas voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.

O trabalho também contribui para aproximar instituições envolvidas na proteção das mulheres e no combate à violência doméstica, permitindo o compartilhamento de informações e o desenvolvimento de estratégias mais eficientes.

Por que o Mapa Nacional da Violência de Gênero é importante?

A existência de uma plataforma pública com dados atualizados permite compreender que a violência contra a mulher não ocorre da mesma maneira em todas as regiões do Brasil.

Diferenças nos índices de violência doméstica, conhecimento sobre a Lei Maria da Penha, acesso aos serviços de proteção, percepção sobre o machismo e convivência com o agressor podem revelar necessidades específicas de cada estado.

Por isso, o acesso a dados estaduais detalhados é importante para evitar que a realidade brasileira seja analisada apenas por meio de uma média nacional.

Onde consultar os dados da violência contra a mulher?

O recorte estadual da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher de 2025 pode ser consultado na página “Pesquisa Nacional” do Mapa Nacional da Violência de Gênero.

A plataforma reúne dados públicos e interativos e permite aprofundar a análise sobre a situação da violência doméstica e da violência de gênero contra as mulheres no Brasil.

Fonte: Agência Senado.

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